Page Nav

HIDE

Grid

GRID_STYLE
FALSE

Hover Effects

TRUE
HIDE_BLOG

Últimas:

latest

Ads Place

Elcanã ou Davi, quem matou Golias?

A existência de Davi como rei de Israel fora contestada por muitos até que em recentes descobertas arqueológicas como a Estela de Tel Dã fo...


A existência de Davi como rei de Israel fora contestada por muitos até que em recentes descobertas arqueológicas como a Estela de Tel Dã foram encontradas citações ao Reino de Judá e a Casa de Davi, colocando, o reino de Judá e a Dinastia de Davi, num contexto histórico extrabíblico, contestando então aqueles que o tinham como um mito. Entretanto, relatos sobre seus feitos como o do seu confronto com Golias ainda recebem uma visão cética que baseada em supostas contradições bíblicas, jamais teria ocorrido.

A objeção embora não seja novidade faz parte da abordagem crítica de Joel Baden em seu livro “Davi: A Vida Real de um Herói Bíblico”, onde diz que o pastor de ovelhas que ascendeu ao trono de Israel não foi o responsável pela morte de Golias. Baden (veja uma exposição de seus argumentos aqui) diz que a passagem de 2 Samuel 21:19 é quem diz que não foi Davi que matou Golias: “Elanã, filho de Jaaré-Oregim, o belemita, feriu a Golias, o geteu, cuja lança tinha a haste como eixo de tecelão”, diz o texto do segundo livro de Samuel.

De acordo com a suposta contradição entre I Samuel 17, II Samuel 21 e I Crônicas 20, concluem que Davi não matou Golias mas sim Elanã ou Elcanã. Contudo tal conclusão de Baden defendida pelo canal "Caminhos do imaginário" (onde encontrei tal abordagem por meio deste link) tem falhas fatais.

Começando por "Joel Baden " citado como fonte no vídeo, a biblista Suzana Chwarts, professora do Departamento de Letras Orientais da Universidade de São Paulo, considera como precipitadas as suas conclusões. Segundo ela (veja aqui):
“Essas conjecturas sobre o texto bíblico são construídas sobre areia movediça e podem cair por terra na próxima escavação arqueológica”. "Há poucas décadas, estudiosos diziam que o reino de Davi não existiu, mas achados arqueológicos recentes provaram que o rei de Israel realmente é histórico".

Cabe ressaltar também que eruditos igualmente capazes como Norman Geisler e Thomas Howe há muito tempo antes de Baden as levantar, já tornaram tais conclusões obsoletas e irrelevantes.

No vídeo onde vemos uma defesa a esta objeção de Baden, o expositor de forma debochada e como que achando que não haveria contestação a sua "aula", demonstra desconhecimento até mesmo quanto aos filisteus (que não são da mesma raça que Golias, mas de origem micena [grega] das costas do mar Egeu). Os chamados "gigantes de Gate" pertenciam aos refains, antigo povo que se refugiou em meio aos filisteus e naquele tempo não eram numerosos mas se destacavam pelo tamanho (2,75m como o Golias) e selvageria, logo, os filisteus não seriam supostamente superiores aos israelitas por serem corpulentos e fortes como afirma no vídeo (ao ponto de serem invencíveis diante dos hebreus), mas, por dominarem o ferro muito antes dos israelitas e por ter em suas fileiras, soldados como Golias que não era o único "gigante" entre eles.

Não há qualquer contradição nos dois relatos posteriores e sim paralelos que sequer se referem ao primeiro relato sobre Davi e Golias.


Quanto a aparente contradição no relato, o tal Cláudio baseado em Baden nos dá uma resposta contra a sua própria objeção ao mencionar que os registros de Crônicas são posteriores aos registros de II Samuel. Ora, o são (pelo seu mesmo raciocínio) assim como II Samuel 21 ocorre bem mais tarde que I Samuel 17( e creio que ambos omitiram isso). Existiria contradição se os textos tratassem do mesmo evento e sobre os mesmos personagens, mas vimos que não é o caso.

A expressão "irmão de" e não "filho de" como se supôs no vídeo, faz parte genuína do texto tendo desaparecido em II Samuel 21 por descuido escribal, ou seja, obviamente um erro de copista (A pessoa que copiou o texto de I Crônicas leu errado a palavra “Achi” que quer dizer “irmão de Golias” (אֲחִי֙) no texto de II Samuel, como sendo “Ét” (אֶת) o que teria gerado essa confusão.) O copista provavelmente não conseguiu ler o texto original por estar parcialmente ilegível, pois pode-se ver que as palavras são quase idênticas (אֲחִי֙) e (אֶת) e nesse caso, o versículo concordaria com o trecho de I Crônicas 20:5.

Ninguém roubou a cena atribuindo a Davi os feitos de outro

Davi derrota Gigante Golias

Quanto a insinuação sobre Elcanã ( El-Hanã filho de Jair ou Jaaré-Oregim [Jair tecelão]) ser coincidentemente de Belém assim como Davi (outro ponto apontado para insinuar que o feito foi atribuído posteriormente a Davi), a objeção não é relevante. Havia também ainda outro belemita de mesmo nome, sendo filho de Dodó, que foi um dos trinta guerreiros heróicos de Davi (II Sam. 23:24; I Cro 11:26). Entre os trinta, ele aparecia como o primeiro depois dos três maiores.

Fato interessante podemos também notar quanto ao pai deste Elcanã que matou o gigante em II Samuel 21:19. Segundo o texto, ele era filho de Jaaré-Oregim, o belemita mas em I Crônicas 20:5, Jair aparece como seu pai. A resposta é simples, e nos oferece uma resposta acerca da suposta contradição. Trata-se de que o copista do texto de II Samuel quando diante do texto possivelmente não muito legível de "Ath-Laemi ahi" que significa "Lami, irmão de" (mesma expressão encontrada em 1Cro 20:5), por descuido usou em sua cópia a expressão "Beth Laemi ath" que significa "o belemita"

Sendo que o "ath" é partícula intraduzível, "Laemi" traduz-se como "Lami", "ahi" traduz-se como "irmão-de", "Beth Laemi" traduz-se como "belemita", e "Jaaré" é uma variação de "Jair", e "Oregim" é a mesma palavra que, pouco depois, é traduzida como "tecelão", isso indica que houve no texto de II Samuel 21 um descuido escribal (entenda aqui) que em nada compromete a narrativa de I Samuel 17 como tentam forçar os céticos igualmente descuidados. 


Conclusão

Davi ou Elcanã, quem matou Golias?


Voltando ao ponto que foi omitido na "aula" do canal "Cantinho dos Imaginados", baseado no seu próprio raciocínio sobre "escrito posterior", é notável que I Samuel 17 se refere a um evento (ocorrido quando o rei de Israel ainda era Saul, sendo que Davi era apenas um jovem servo) enquanto que II Samuel se refere a outro evento posterior (de quando Davi já era rei de Israel e Elanã era um dos soldados de Davi.) cujo erro escribal é corrigido em I Crônicas 20. 

Então, temos que Davi matou Golias como relatado em I Samuel 17 e Elanã foi o responsável pela morte do irmão de Golias em um outro episódio mencionado em II Samuel 21 também descrito em I Crônicas 20. Sendo constatado a omissão do termo "irmão de Golias" que enfatiza a referência quanto ao real personagem em questão que foi Lami, infelizmente omitido em II Samuel 21 por um erro de transcrição escribal já demonstrado acima, qualquer que seja a contradição com a relação a Davi e Golias, tende a desaparecer.

Portanto, a especulação de que o confronto entre Davi e Golias não existiu ou que outra pessoa teria matado o gigante e posteriormente foi atribuído o feito a Davi para embelezar sua história, não passa de precipitada conclusão já demolida por simples observações contextuais. Para além disso, se o autor quisesse embelezar algum mito em torno do Rei Davi, bastava não ter registrado seus atos de poligamia, adultério e assassinato tão pouco os conflitos como estupro e conspiração dentro de sua própria casa.



Nenhum comentário

Política de moderação de comentários:
1 - Poste somente o necessário. Se quiser colocar estudos, artigos ou textos grandes, mande para nós por e-mail: resistenciaapologetica@gmail.com

2 - A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro pelo conteúdo do blog, inclusive quanto a comentários; portanto, o autor deste blog reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Comentários com conteúdo ofensivo não serão publicados, pois debatemos idéias, não pessoas. Discordar não é problema, visto que na maioria das vezes redunda em edificação e aprendizado. Contudo, discorde com educação e respeito.

3 - Comentários de "anônimos" não serão necessariamente postados. Procure sempre colocar seu nome no final de seus comentários (caso não tenha uma conta Google com o seu nome) para que seja garantido o seu direito democrático neste blog. Lembre-se: você é responsável direto pelo que escreve.

4 - Não aprovamos comentários que contenham ataques, deboches ou críticas irrelevantes e sem nada a acrescentar.

5 - Comentários que fogem do assunto da postagem serão limitados. Se quiser fazer uma crítica ou sugestão, utilize a página de Contato.

6 - Comentários tumultuosos e que apenas repetem objeções já abordadas e respondidas no artigo, serão ou deletados ou receberão uma dura resposta pela desatenção do autor.

7 - A aprovação de seu comentário seguirá os nossos critérios. O Blog Resistência Apologética tem por objetivo à edificação e instrução. Comentários que não seguirem as regras acima e estiver fora do contexto do blog, não serão publicados.

Para mais informações, clique aqui!