Uma resposta às reinvindicações do catolicismo romano sobre o cânon

Cânon Bíblico

Reinvindicações do catolicismo romano sobre o cânon bíblico

Não é estranho nem raro encontrar alegações que insinuem a Igreja Romana como criadora do cânon bíblico. Mas teria sido ela que em exclusividade e particularmente discerniu, reuniu, preservou, compilou e proclamou os livros do NT? Sendo evidente que não, sua relação causal para com a Bíblia não passa de pura falácia denominada “cum hoc ergo propter hoc”, do latim “com isto, logo por causa disto”. O erro consiste em ignorar uma ou mais causas em comum para ambas, Bíblia e Igreja ou, que as duas em questão não tenham absolutamente nenhuma relação de causa, e a sua aparente conexão seria coincidência. 

Falsa causalidade

Uma variação comum deste disto de alegação é a falácia “post hoc ergo propter hoc” (depois disto, logo por causa disto), na qual uma relação causal é presumida porque uma coisa acontece antes de outra coisa, logo, a segunda coisa só pode ter sido causada pela primeira. Resumindo, a falácia está em chegar a uma conclusão baseada unicamente na ordem dos acontecimentos ou sua correlação, ao invés de tomar em consideração outros fatores que possam excluir, ou confirmar, tal conexão. E não é incomum ver apologistas católicos até mesmo forçando conexões sejam temporais ou coincidentes para sugerir que a Bíblia, ou mais precisamente o cânon bíblico seja produto, efeito e criação de sua Igreja Romana.

Como mencionado, para desconstruir a falácia basta que se aponte outros fatores que possam excluir tal conexão e logo, objeções de que não haveria um cânon sem Roma ou, a validade do cânon depende da autoridade da Igreja, tornam-se obsoletas tanto quanto as alegações de que a Igreja seria a causa do cânon e criadora da Bíblia.

Proclamação e reconhecimento de um cânon neotestamentário

A primeira vez que de fato alguém nas terras de Roma se pronunciou sobre o NT foi o herege Marcião que por sua vez repudiava o Antigo Testamento, encarnação e a ressurreição de Cristo além de ser um herege gnóstico que por aquelas terras ganhava fama até ser repudiado e refutado por nomes como Justino, Irineu e Tertuliano.

A tarefa de proclamar um cânon neotestamentário, no sentido de o discernir e o aceitar, coube a igreja antiga que, católica em sua qualidade, missão e influência mas nunca romana em exclusividade, sob a jurisdição e excelente exposição em grande parte dos orientais e africanos, estabeleceram um reconhecimento aos 27 livros que hoje temos no Novo Testamento, enquanto que os ocidentais sob a jurisdição romana apenas seguiam a regra geral e oficialmente levaram 16 séculos para se pronunciar de forma definitiva e dita infalível.

Hoje nós protestantes reconhecemos, aceitamos, discernimos e proclamamos estes mesmos livros, não apenas dado o testemunho de um generalizado consenso e apoio da igreja antiga, mas devido a intrínseca autoridade e canonicidade que tais livros impõem a si mesmos como frutos do ministério apostólico do primeiro século, guiado, inspirado e revelado pelo Espírito Santo e tendo o próprio Deus como autor e confirmador de sua obra, algo só equivalente ao Antigo Testamento e a mais nenhum outro conjunto literário.

Ainda podemos confiar na critica textual, evidência histórica e análise exegética dos próprios livros, sendo que portanto, dando a tais pontos sua devida e honesta observação, a conclusão sobre a canonicidade e autoridade do NT não é e nunca foi algo particular a Igreja de Roma muito menos de seu aporte exclusivo.

Att: Elisson Freire


Nota: Algumas respostas contra os mais usados sofismas romanistas sobre este assunto pode ser visto neste artigo do Lucas Banzoli (aqui)


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