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Martinho Lutero e Johann Eck - O triunfo da Reforma no Debate de Leipzig

O triunfo da Reforma no Debate de Leipzig Somos todos hussitas! (Lutero em resposta ao debate de Leipzig) Depois de trocar algumas corr...

Debate de Leipzig


O triunfo da Reforma no Debate de Leipzig



Somos todos hussitas!(Lutero em resposta ao debate de Leipzig)

Depois de trocar algumas correspondências com Lutero acerca das indulgências, um renomado teólogo católico Dr. Johann Eck que era o maior campeão de Roma na Alemanha, por um motivo qualquer decidiu publicar estas cartas acompanhadas por diversos ataques contra as teses de Lutero, acusando-o de promover a "heresia dos irmãos da Boêmia ", promovendo a anarquia dentro da Igreja e marcando-o como hussita. Isso levou Andreas von Karlstadt Bodenstein a escrever um extenso repúdio contra as objeções de Eck, incluindo mais de 300 teses que abordam questões de graça, livre arbítrio, e penitência. Lutero respondeu em seu Asterisci adversus obeliscos Eccii, enquanto Andreas Karlstadt defendeu as opiniões de Lutero sobre as indulgências e se envolveu em uma controvérsia violenta com o astuto Dr. Eck.

A controvérsia escrita levou a exigência de um debate cara a cara que seria realizado em Leipzig, inicialmente restrito a Eck e Karlstadt, só que mais tarde incluiu Lutero (após Eck dirigir sua resposta a Andreas com inúmeras alfinetadas em Lutero). Antes do debate Lutero admitiu reservadamente a seu amigo Georg Spalatin uma crença crescente de que o papa era o anticristo, e que estas alegações foram feitas por outros antes dele na Idade Média, mas publicamente ele continuou a afirmar o papado como estabelecido por Deus para a unidade da Igreja. Então, em um sermão na véspera do debate em Leipzig, ele enfatizou a centralidade da fé em Cristo como a base para a salvação, e não a fidelidade papal. E assim, sob o patrocínio de George da Saxônia, o debate foi iniciado e os três participantes foram obrigados a anunciar publicamente o seu compromisso com a ortodoxia e Lutero o fez com a qualificação de que ele só estava debatendo a autoridade papal porque Eck havia pressionado ele a discutir o assunto.

A disputa é iniciada.


Iniciado o debate em 27 de junho de 1519, as primeiras quatro sessões envolveram disputas entre Karlstadt e Eck sobre graça e livre arbítrio. Eck manteve a tese de que o livre-arbítrio é o agente ativo na criação de boas obras, mas ele foi compelido por Karlstadt a modificar sua posição de modo a admitir que a graça de Deus e o livre arbítrio operam em harmonia com o objetivo comum.  Mas apesar do fato de Eck ser virtualmente forçado a abandonar sua posição, ele conseguiu, através de sua boa memória e habilidade dialética, confundir Karlstadt e obter vantagem no debate. Todavia teve menos sucesso contra Lutero ao ponto de confessar que o reformador era superior em memória, perspicácia e aprendizado. 

A literatura que precede o debate tinha levantado a questão de saber se Lutero rejeitou a autoridade papal, da mesma forma como o "herege" John Huss. Debater a natureza da autoridade papal foi proscrita, mas, o Duque George permitiu que ele tocasse no assunto. Lutero e Eck então depois mudaram a discussão em relação à autoridade na igreja. Enquanto Eck defendeu a autoridade papal a partir de textos de prova tradicionais, como Mateus 16, Lutero rejeitou-os em razão da exegese.

O ápice do debate.


Lutero aceitou o papado como uma instituição divina, mas rejeitou a extensão de sua autoridade para assuntos salvíficos ou de chefia da igreja em detrimento da verdade, e ainda refutou a interpretação que Eck fez sobre textos bíblicos que segundo ele validariam a autoridade papal sobre assuntos salvíficos. No decurso do debate, eventualmente Lutero respondeu à afirmação de que ele estava apoiando uma posição condenada pela Igreja por não ser ortodoxa, pois Lutero estava defendendo muitas das posições de Huss como essencialmente ortodoxas, inclusive a admissão de “entre as crenças condenadas de John Huss e seus discípulos existem muitas que são verdadeiramente cristãs e evangélicas e que a Igreja Católica não pode condenar”. Quando questionado por Eck de que ele estava em defesa de um herege notável, Lutero respondeu que o Concílio de Constança, que condenou Huss à morte, poderia ter sido em erro. Isso o levou a afirmar que Concílios poderiam e tinham cometido erros, assim como os papas em seu direito canônico. Portanto o que permaneceu infalível para Lutero era a Escritura como autoridade final e infalível para a igreja.

Pela primeira vez, Lutero tinha articulado claramente sua posição de que papas, concílios e teólogos foram todos sujeitos ao erro, deixando a Escritura como a autoridade suprema em todos os assuntos teológicos. Isto tornou-se um divisor de águas, resultando tanto em aumento do apoio e da oposição que aumentaram depois que ele deixou Leipzig. Ao fim do debate, Lutero expôs sua opinião sobre Eck:
"Lamento que o Santo Doutor penetre as Escrituras tão profundamente como uma aranha na água;. Na verdade, ele foge delas como o diabo da cruz. Portanto, com toda reverência para os Padres, eu prefiro a autoridade das Escrituras, que eu recomendo aos futuros juízes."(Lutero, sobre Johannes Eck, após o debate). [1]

Eck na tentativa de diminuir a posição de Lutero e posar como triunfante, havia mencionado as citações de Lutero e de outros reformadores indicando que haviam abandonado a devoção mariana (veja aqui). E agora com o debate acirrado conseguiu apontar em Lutero esta parcial identificação com as doutrinas hussitas, algo que foi tomado como um triunfo sobre Lutero, contudo em nada conseguiu contrapor ou refutar as afirmações de Lutero que permanecia fiel às Escrituras enquanto Eck distorcia a Bíblia a fim de apoiar a autoridade do papa e a tradição católica. Assim, o debate terminou no dia 14 de julho com o público dividido. Sua opinião acerca da atuação de Lutero foi:

"O monge impaciente é mais indecente do que torna-se a gravidade de um teólogo. Ele prefere a autoridade da Escritura aos Padres e define-se como um segundo oráculo de Delfos, que sozinho tem uma compreensão das Escrituras superior à de qualquer Pai".( Johannes Eck , sobre Lutero após o debate).[2]

Em resumo...


Depois de um intenso debate sobre a supremacia do papado, purgatório e penitência, etc., com duração de vinte e três dias, os árbitros se recusaram a dar um veredicto. Eck conseguiu fazer com que Lutero admitisse que havia alguma verdade nas opiniões hussitas e se declarar contra o papa, mas esse sucesso apenas amargou sua animosidade contra seus oponentes. Eck teve de lidar ainda com a declaração de Lutero sobre os Concílios Ecumênicos cometerem erros, como no caso em Constança (1414-1418) quando condenou Hus (1415). Lutero ao negar efetivamente a autoridade do papa e dos Concílios e se mostrar favorável a John Huss fez de Eck  o aclamado vencedor pelos teólogos da Universidade de Leipzig.

Após o debate, a Universidade de Erfurt e a Universidade de Paris examinaram os registros do debate para fazer o julgamento. Erfurt não respondeu, e Paris atrasou seus resultados até 1521 quando emitiu um veredito negativo sobre os escritos de Lutero, mas não fez referência direta ao debate em Leipzig resumindo sua posição declarando que as Escrituras e os Padres podem ser obscuros, mas os teólogos contemporâneos da igreja são claros, especialmente os de Paris e tanto a patrística quanto a escritura devem ser interpretadas pelos teólogos da Igreja, tendo o papa como o chefe administrativo e judicial da igreja, mas que ele tinha que aprender a verdade a partir dos teólogos.

Tal declaração dos teólogos de Paris demonstram que o próprio papado em si precisa do ensinamento dos teólogos da igreja que por sua vez declaram obscuras as escrituras que devem ser interpretadas pela Igreja. Para Lutero, este acórdão reforçou sua convicção de que a Igreja precisava e tinha nas Escrituras uma única autoridade como apelo, pois até o Papa dependia dela para se suster. Assim sendo, ele confirmou o legado de Leipzig: A doutrina protestante da sola Scriptura acima de qualquer autoridade humana, já que que toda suposta autoridade recorre a escritura para se validar.

Lutero ainda levou a correspondência para os Boêmios, onde os saudou com a exclamação: "Somos todos hussitas". Mais tarde, em Fevereiro de 1520, escreveu ironicamente num dos seus panfletos: “Somos todos hussitas sem o saber. São Paulo e Santo Agostinho são hussitas”. Anos depois quando foi exposta uma apologia a confissão protestante apontando as mesmas indicações de Lutero em Augsburgo, o duque da Baviera disse ao Dr. Eck,: "O doutor tinha-me dado uma idéia muito diferente desta doutrina e deste negócio, mas, no fim das contas, pode porventura contradizer com razões boas a Confissão feita pelo príncipe e seus amigos?" - "Não pelas Escrituras", replicou Eck, "mas pelos escritos dos padres da Igreja e dos cânones dos concílios podemos". "Então já entendo", respondeu o duque, censurando, "os luteranos tiram a sua doutrina das Escrituras e nós achamos a nossa fora das Escrituras".[3]

Eis a grande vitória de Lutero contra Eck, deixá-lo acuado e tendo que se reservar unicamente ao seu desgostoso trunfo romanista em estar diante de um hussita defensor da autoridade da Escritura e da falibilidade dos concílios e do papado e apenas se escandalizar sem qualquer resposta contra as afirmações de Lutero.

Att: Elisson Freire

Referência para consulta: Martinho Lutero, Obras Selecionadas, Vol. 1, p. 257-265.


[1] W. Robert Godfrey, "Martin Luther: An Evangelical Original." (pages 50-51) in The Coming Evangelical Crisis: Current Challenges to the Authority of Scripture and the Gospel. Moody Press, 1996.
[2] ibid.
[3] A. Knight & W. Anglin, História do Cristianismo, pag 151.





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