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Um mundo de 6 mil anos?

Resposta ao Criticismo Bíblico sobre um mundo de 6 mil anos Toda crítica bíblica que se baseie sob precipitadas ou particulares interpretaç...

Planeta Terra


Resposta ao Criticismo Bíblico sobre um mundo de 6 mil anos


Toda crítica bíblica que se baseie sob precipitadas ou particulares interpretações, torna-se nula e sem qualquer validade contra a fé cristã na existência de Deus.

Não são poucos aqueles que de forma desavisada, desonesta e ignorante que apelam para o criticismo bíblico descuidado e debochado onde versos isolados fora do contexto ou até mesmo interpretações particulares passam a servir de munição contra a fé cristã em um Deus pessoal, todo-poderoso e criador de todas as coisas. A cantinela é sempre a mesma. Criam conclusões ou interpretações particularmente tendenciosas e seletivas da Bíblia e a criticam com base nisso.

Uma destas interpretações particulares levantadas para desacreditar a Bíblia e consequentemente a existência de Deus trata-se de supostamente se afirmar que a Terra tem 6 mil anos. Obviamente que não foi da Bíblia que chegaram a essa afirmação mas, de sua própria pseudo-consultoria facilmente refutada em dois pontos. 

O primeiro ponto refere-se ao fato de que a crença na existência de Deus não depende da veracidade bíblica e, quando um ateu ataca certa parte da Bíblia ou ela toda, ele está só criando uma crítica, porém nula e sem qualquer base se usada para validar o ateísmo. Explico:

Ao se deparar com a obra Guernica de Picasso e se descobrir que uma parte ou até todo o painel foi modificado ou que há erros, o que devemos concluir? Obviamente que o painel tem uma falha, não que Picasso não existe; e muito menos que não há nenhuma participação de Picasso no processo de criação do painel. Afirmar que a sua crítica estaria portanto validando alguma objeção sobre Picasso não existir, seria um salto lógico que na verdade põe em descredito a sua própria afirmação de inexistência e nada mais que isso. De igual modo o criticismo bíblico que aponta supostos erros e falhas na bíblia de forma alguma oferece base para se reivindicar uma posição cética quanto a existência de Deus e isso não seria apenas um erro de relação causal mas também uma ampliação indevida e ambos são falácias, não argumentos.
Logo, se o seu ateísmo se baseia em supostas críticas em relação a Bíblia o problema está na sua fraca e rasa fundamentação para ser ateu e não na existência de Deus que continua bem fundamentada ainda que a Bíblia contenha algum defeito, pois a proposição "Deus existe" não depende da validade da Bíblia para ter valor de verdade.
O segundo ponto que refuta a objeção ateísta está na análise da afirmação em sua própria crítica. Seria válida a objeção de que a Bíblia afirma que a Terra teria 6 mil anos? 

Surdez ou ignorância estratégica usada como fundamento crítico


Em uma postagem levantada por um amigo "ateu" no facebook encontramos a seguinte objeção de que, é nítido que a Bíblia diz que a terra tem pouco mais de 6.000 anos enquanto que a ciência demonstra ela ter mais de 4 bilhões.

Como já mencionado acima, algumas objeções criticas se baseiam em uma pseudo-consultoria fundamentada unicamente em conclusões pessoais sem qualquer validade e que tornam o próprio amigo ateu, numa espécie de analfabeto funcional desequilibrado. O seu ateísmo se fundamenta em críticas tão vazias quanto sua própria capacidade de argumentação que longe de ser pautada em qualquer estudo devidamente aplicado (como teologia elementar, hermenêutica ou uma simples pesquisa acadêmica) a respeito do que se arrisca a criticar, pelo contrário, não passa de um pedante abuso de red herring visto que em nenhum texto bíblico há qualquer menção sobre a Terra ter sido criada há 6 mil anos e rebater nisso não só seria um espantalho como também faz parte de uma estratégica surdez ignorante e seletiva.

A posição correta a ser abordada pelo amigo "ateu" deveria ser em criticar os que alegam ter a Terra pouco mais de 6 mil anos e isso afetaria apenas os adeptos da teoria da "Terra Jovem" mas não os credores da Bíblia tão pouco os que rejeitam tal teoria e são igualmente cristãos. A partir destas observações que contraditam a postura do amigo ateu com sua fraca objeção crítica podemos concluir que de forma alguma ele conseguiu sustentar sua patética postagem (veja aqui).

Um método equivocado de pesquisa


As datas que se vêem às margens de algumas Bíblias e que receberam créditos pelos adeptos da teoria da Terra Jovem não fazem parte do texto da Escritura mas foram calculadas pelo Arcebispo James Usher no século 17. A criação de Adão, segundo ele, data de 4004 a.C. O dilúvio, de 2348 a.C. O nascimento de Abraão, de 1996 a.C. O Êxodo, de 1491 a.C. O Templo de Salomão, de 1012 a.C. Entretanto, os dados cronológicos, fornecidos pela Bíblia, são insuficientes para, com eles, se elaborar a base de um sistema exato de datas; e há divergência de opiniões entre os eruditos, especialmente quanto às datas mais remotas e a própria arqueologia tem confirmado a total impossibilidade de se tentar datar a cronologia bíblica, adicionando-se o número de anos mencionados nas genealogias do livro de Gênesis. Poucos arqueólogos de reputação apelariam para esse método; e a ideia de que a terra tem apenas seis mil anos cai em total descrédito uma vez que o assunto seja investigado.

Embora a Bíblia não estabeleça uma datação para a origem do universo tão pouco do nosso planeta alguns ainda persistem no "método cronológico" (inclusive os céticos) valendo-se dos trechos de Gênesis 5:1-32 e de Gênesis 7:6 como base de seus cálculos que no máximo só poderiam nos oferecer uma cronologia a partir da origem do homem aos nossos dias mas não do mundo criado até nós. Adeptos da "terra jovem" reivindicam a validade do método devido desconhecerem as falhas ou limites do mesmo e céticos autoproclamados ateus aderem a esta interpretação equivocada apenas para manterem suas críticas como se lhes servisse de base para sua negação a existência de Deus.

Contudo os estudiosos das tabelas patriarcais, após terem verificado como os hebreus manipulavam suas genealogias ( obviamente de forma seletiva e abreviada), nas quais há tão frequentes omissões, onde um nome pode representar toda uma linhagem, com muitas gerações, etc. são forçados a ignorar o método cronológico usado pelo bispo James Ussher, o qual estabeleceu que a data da criação teria ocorrido em cerca de 4000 A.C.

A tentativa de manutenção desse método de fixação de datas só consegue levar-nos aos mais crassos absurdos. Parece justo dizermos, mesmo quando defendemos a historicidade de Adão (algo que não abrimos mão), que as genealogias envolvidas contêm somente alguns dos nomes mais importantes, saltando, em muitos casos, por cima de muitas gerações. É que o propósito desses registros bíblicos não era o de fornecer-nos uma história cronológica, mas apenas mostrar-nos a linhagem ou descendência de Jesus Cristo. Para tanto, bastou um relato histórico geral da raça humana, e não foi preciso fornecer-nos uma história detalhada da mesma.

A Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible, sob o título Antediluvianos conclui acerca deste método cronológico, que: 
O peso das evidências, de acordo com as interpretações anteriores dos informes disponíveis, claramente indica que a história de Gênesis sobre os antediluvianos não fornece a cronologia de um número específico de anos, de Adão a Noé. Torna-se claro, pois, que não temos datas sobre quando viveram Noé e Adão. 

Por conseguinte, o Dicionário Bíblico de Unger afirma que o trecho de Gênesis 1:1 situa a origem do universo no "passado sem data, dando margem a todas as eras esboçadas pela ciência da geologia". Quanto ao aparecimento do homem à face da terra, esse mesmo autor considera os supostos 4000 anos de James Ussher como algo "insustentável, à luz dos fatos arqueológicos confirmados".

Neste mesmo trabalho se diz sobre os 6 dias da criação que podem representar "dias literais de 24 horas de revelação da Criação, ou eras geológicas extensas ou épocas preparatórias para ocupação posterior do homem , ou um esboço revelador para resumir a atividade criadora de Deus, afirmando que "porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra..." (Cl 1.16).

Descartando o método genealógico


É altamente improvável que a estrutura genealógica de Gênesis 5 sirva para elaborar cálculos sobre o número de anos entre a criação do homem e o dilúvio, estabelecendo 4004 a.C. como a data da criação do homem, ou que possa ser usada para estabelecer uma data para a criação do mundo. Há algumas razões: 
(1) Os termos hebraicos "gerar", "filho", "filha" são usados com grande amplitude e podem envolver descendentes distantes e imediatos. 
(2) As dez gerações de Adão a Noé e as dez de Noé a Abraão buscam, evidentemente, brevidade e simetria, não uma relação ininterrupta de pais e filhos. 
(3) Abreviações por questões de simetria são aspectos comuns nas genealogias bíblicas (cf. Mt 1). 
(4) Na fórmula recorrente, "A viveu — anos e gerou a B. Depois que gerou a B, viveu A — anos; e teve filhos e filhas", B pode não ser filho literal de A. Nesse caso, a idade de A pode ser a que possuía quando nasceu o descendente de quem descendeu B. Um intervalo indefinido pode ser intercalado entre A e B. 
(5) Sabe-se agora, cientificamente, que o homem existia muito antes de 4000 a.C., como indicam tanto a paleontologia como a arqueologia.

Tomemos como exemplo a genealogia de Sem a Abrão onde dez nomes são registrados. Ao que parece, são selecionados, e a genealogia (com o os dez nomes de Adão a Noé, em Gn 5) é simétrica e telescopicamente abreviada porque: 
(1) O período aparente de 427 anos coberto (hebr.), Septuaginta 1307 anos, é muito breve de acordo com a história contemporânea do Egito e da Babilônia. 
(2) Não há provas de um dilúvio mundial em lugares escavados antes de pelo menos 4500 ou 5000 a.C., e colocar o dilúvio em 2348 a.C. é arqueologicamente insustentável. 
(3) A simetria e a abreviação são características das genealogias bíblicas. 
(4) A aparente intenção da narrativa é traçar a linhagem messiânica com nomes representativos.

Russell Norman Champlin, renomado erudito bíblico ao tratar sobre Genealogias Bíblicas em seu dicionário do Antigo Testamento, também descarta a interpretação proveniente do método genealógico ou cronológico sob a seguinte observação:

Os registros genealógicos existentes na Bíblia deixam grandes-hiatos de tempo, para efeito de simetria. Basta-nos examinar o trecho de Mateus 1:17, com catorze gerações simétricas em cada grupo: de Abraão a Davi; de Davi ao cativeiro babilônico; e do cativeiro babilônico até o Cristo. Essa simetria forçada provavelmente tinha finalidades mnemônicas, para ajudar a memória dos leitores quanto ao tempo envolvido. Há alguma evidência, nas genealogias do Antigo Testamento, que, às vezes, um homem qualquer, em vez de envolver um só indivíduo, envolvia toda a história de um clã ou de uma tribo, devendo-se pensar em várias gerações, e não em uma somente. Atualmente, os estudiosos admitem que as genealogias representam muito mais tempo do que o resultado obtido pela soma das idades das pessoas envolvidas. Por isso, a erudição bíblica abandonou o método de calcular a passagem do tempo com a ajuda das genealogias. Isso não foi levado em conta pelo bispo Ussher, um dos primeiros estudiosos modernos a lançar mão do método da contagem do tempo através das genealogias bíblicas. Os escritores sagrados não visavam tanto a uma cronologia exata, mas antes, visavam à simetria, para efeito de facilitar a memorização. Ver as notas no NTI, sobre Mateus 1:1, quanto a evidências que confirmam o que acabamos de dizer.(pag.4073)

Estudiosos como R. Norman Champlin, Ph.D em línguas Clássicas pela Universidade de Utah nos informam que as descrições sobre os patriarcas bíblicos, mais precisamente os pré-abraâmicos, na verdade são registros dos movimentos e das atividades de tribos inteiras. Termos como «filho» e «gerou» podem ser usados genérica ou metaforicamente, para mostrar as relações entre grupos étnicos, e não a sucessão de pais para filhos reais, dentro desses grupos.

Champlin figura entre os que afirmam que as genealogias dos hebreus com frequência são incompletas, tornando-se símbolos de descendência, e não de declarações exatas e que biblicamente, não há como reconstituir a cronologia. Ademais, há um grande hiato de tempo entre Gên. 1:1 e Gên. 1:2. Houve uma criação original que entrou em caos. E então houve uma recriação, quando apareceu a atual raça humana. Essa linhagem humana começou com a figura literal de Adão, pelo que ele é o primeiro homem da narrativa bíblica; mas ( nas palavras de Champlin) pode ter havido numerosas outras eras e raças sobre as quais nada sabemos, por não serem espiritualmente importantes para nós. O hiato entre Gên. 1:1 e Gên. 1:2 abre espaço para todas as descobertas geológicas e paleontológicas que não possam ser racionalmente encaixadas dentro de menos de sete mil anos.  Além disso, a data da criação original poderia ser recuada o quanto queira fazê-lo qualquer ciência existente ou que venha a existir—bilhões de anos, se for o caso.

Em sua obra de Comentário Bíblico ele acrescenta:

O método de cálculo por meio de genealogias tem sido abandonado pela maioria[dos estudiosos], visto que, geralmente, as genealogias de Gênesis são meros esboços, e não relatos detalhados de sucessivas gerações. (Gênesis - Indicações Cronológicas, pág.54)

Conclusão


Podemos concluir por meio de uma breve pesquisa acadêmica e rápida consulta bíblica que a atitude debochada que visa rechaçar a crença em Deus com base em uma crítica nula sustentada apenas pela surdez estratégica e ignorância seletiva de meros críticos tendenciosos não passa de uma forçosa incredulidade pessoal de mesmo valor que aquilo que enterra um gato.

Bastaria unicamente observar as evidentes lacunas nas genealogias de Gênesis onde falta pelo menos uma geração. Notamos isso ao lermos Lucas 3:36 que menciona "Cainã" entre Arfaxade e Sala, mas o nome Cainã não aparece nessa ordem no registro de Gênesis (veja Gn 10:22-24). O mesmo vemos na genealogia do livro de Mateus, quando diz "Jorão, [gerou] a Uzias" (Mt 1:8). Mas, em comparação com 1 Crônicas 3:11-14, vemos que Mateus deixa fora três gerações (Acazias, Joás e Amazias). Portanto em Gênesis 5 e 10 temos genealogias adequadas a intenção do autor, e não uma cronologia completa que no mínimo nos serve apenas para especular sobre a origem de Adão até nossos dias mas nunca para supor que a Bíblia diz que o mundo tem 6 mil anos, coisa que como estudiosos sustentam com base em Gên. 1:1 e Gên. 1:2 que, abre espaço para todas as descobertas geológicas e paleontológicas que não possam ser racionalmente encaixadas dentro de menos de sete mil anos. 

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Att: Elisson Freire

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